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HOMILIA DOMINICAL: VÓS SOIS O SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO

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“Vós sois sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13)


O Evangelho de hoje nos apresenta duas parábolas, do sal e a da luz, e é uma continuidade das Bem-Aventuranças (cf. Mt 5,1-12) e quer nos ensinar que a nossa missão como Povo de Deus no mundo, deve ser como o sal e a luz. O sal é um elemento que se mistura e se adiciona nos alimentos para ser tempero, para dar gosto e sabor (cf. Jb 6,6), para conservá-los, para preservá-los da corruptibilidade (decomposição).  O sal é discreto, é dissolvido na água, não se vê, apenas se lhe sente o gosto.


Jesus diz que da mesma forma nós cristãos precisamos nos misturar e adicionar à vida dos outros, à sua existência para dar sentido e sabor à vida, precisamos nos preservar do pecado e da corrupção, e de tudo aquilo que nos afasta da graça e das bençãos de Deus.  Jesus não usa a forma condicional: vocês deveriam ser o sal… Sem rodeios, afirma: “Vocês são o sal da terra”. Para quem é cristão ou cristã, não há outro caminho. Ser sal é humanizar as relações interpessoais e sociais; é conservar o entusiasmo no seguimento de Jesus; é resistir aos ataques inimigos.


Jesus nos alerta da possibilidade do sal se tornar insosso, sem sabor. Se isso acontecer com o sal já não servirá para mais nada, a não ser para ser jogado fora e ser pisado, ou seja, se nós cristãos nos recusarmos a fazer o bem ao próximo, se nos omitimos de nossas responsabilidades de construir um mundo segundo a vontade de Deus, estaremos sendo inúteis para nós, para o próximo e para Deus.


A segunda comparação que Jesus faz é com a luz, que na Sagrada Escritura é o símbolo da presença do Senhor. O próprio Jesus diz: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”(Jo 8,12). Isto significa que nós como Povo de Deus somos chamados a ser o reflexo da luz divina no mundo e diante de todos os povos da terra.  Nós que fomos no batismo iluminados por Cristo não podemos nos esconder, não podemos nos omitir da nossa missão, nem fugir às nossas responsabilidades de ajudar o próximo no seu caminho de vida humana e espiritual. A luz implica ausência de trevas, inexistência de pecado. Luz indica ambiente inundado de calor humano; aponta para atitudes de honestidade e transparência nos relacionamentos. Luz é ocasião de alegria, festa e boa convivência. Se formos luz do mundo, os outros poderão se aproximar de nós com a garantia de que serão bem acolhidos e tratados com respeito. O que se espera da luz é que ilumine todo ser humano. Se todos nós fizermos o bem ao próximo, nossa vida e a dos outros serão iluminadas e terão mais sabor. Ninguém é sal e luz para si mesmo, mas para os outros.  


Os cristãos são luz não porque querem aparecer, mas porque, com a prática das boas obras, orientam os passos, iluminam a vida e a mente das pessoas que se sentem na escuridão da vida, sem esperança, sem saber por onde ir e o que decidir. Ser Luz é levar as pessoas ao encontro com Deus, fazer uma experiência do amor de Deus pela humanidade. Ser cristão é também ser uma luz acesa na noite do mundo, apontando os caminhos da vida, da liberdade, do amor, da fraternidade.


As dez Bem-Aventuranças nos dizem que seremos felizes se formos misericordiosos, pobres em espirito, mansos, sedentos de justiça, puros de coração, pacíficos e perseguidos por causa de Deus (cf. Mt 5,1-12). Na prática significa ter um coração capaz de compadecer-se, de amar, de perdoar, de se comover, de se deixar tocar pelos sofrimentos e angústias dos irmãos; de vivermos a honestidade, a lealdade, a verdade, recusar a violência e a lei do mais forte e sermos canais da reconciliação entre as pessoas. Se assim agirmos diariamente seremos capazes de fazer nascer um mundo novo, iluminado com a luz de Deus e as suas bençãos. Deus não quer pessoas e uma religião que faz tudo muito bem dentro da Igreja e depois lá fora, no dia-a-dia, se esquece da Palavra Deus e do próximo. Neste sentido o profeta Isaías nos diz que a verdadeira religião e o culto agradável a Deus é quando o ser humano elimina da sua vida a opressão, a injustiça, a violência e os gestos de ameaça. Ele diz: “Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir e não voltes as costas ao teu semelhante”(Is 58,7). O profeta não quer dizer que os nossos momentos de oração e de encontro com Deus na liturgia sejam inúteis, supérfluos ou desnecessários, mas que sejamos capazes de conciliar a fé com as nossas obras para que a nossa vida espiritual seja uma oferenda agradável a Deus.  


Pe. Valdir Luiz Koch


 
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