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HOMILIA DOMINICAL: SUPERANDO AS TENTAÇÕES
Crédito da foto - CENTRO ALETTI

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A liturgia de hoje nos mostra que o pecado destrói a união e amizade com Deus e com o ser humano entre si (Gn 2,7-9; 3,1-7). O Gênesis mostra que o ser humano depende de Deus, seu Criador pois foi Ele quem nos deu o sopro da vida quando ainda não tínhamos forma humana. Foi Ele quem, depois de nos ter criados como a criatura mais importante da criação, nos deu uma “casa” e uma habitação, que se chamava “Éden”, para que ali pudesse ser a nossa morada e que deu todo tipo de espécie de animais e vegetais que pudessem nos dar sustento (Jr 18,1). Isto nos mostra que nosso Deus, é um Deus generoso, providente, cuidadoso conosco, que está entre nós, que dialoga conosco e nos oferece uma qualidade de vida sem igual.


Mas o relato de Gênesis nos mostra que o ser humano não se contentou em viver apenas como criatura de Deus, Ele quis ocupar o lugar de Deus, ser como Deus. O fruto do bem e do mal mostra que o ser humano quer “conhecer tudo”, saber e fazer tudo, quer viver independente de Deus, isto é, quer ter um poder ilimitado que somente o Criador tem. Adão e Eva, e hoje muitos de nós, caíram na tentação de querer viver sem Deus, de não obedecer, de ser orgulhoso, auto-suficiente, de querer traçar por si mesmo a própria vida. O resultado de tudo isto foi o pecado, a derrota, a frustração, a dor, a doença, o sofrimento e a morte. Por isso no salmo que hoje cantamos o salmista reconhece: "Eu reconheço a minha iniquidade, diante de mim está sempre o meu pecado. Só contra vós pequei, o que é mau fiz diante de vós" (Sl 50,5-6).


Da mesma forma hoje, quantos cristãos tem negado a sua fé, tem caído em tentação, tem cometido o pecado da apostasia, da idolatria do dinheiro, do poder acima de tudo, do ter sem limites, do prazer desenfreado, da fama a todo custo, que profanam seu corpo templo do Espírito Santo, que desobedecem aos mandamentos divinos porque não querem mais ser somente filhos e filhas de Deus, pois querem decidir por si próprios a sua vida, ao bel prazer, do que é bom e do que é mal. 


O Evangelho de Mateus nos apresenta as tentações de Jesus e as nossas que representam todas aquelas forças do mal que nos tentam a nos afastar de Jesus, da nossa vocação, da santificação e da salvação. Segundo este Evangelho três são as tentações: do pão (Mt 4,1-4); do sucesso (Mt 4,5-7); do poder e riqueza (Mt 4,8-11).


A tentação do pão (Mt 4,1-4) representa a abundância sem esforço. Jesus como Filho de Deus tem o poder de transformar a pedra em pão, mas não o faz porque quis fazer da sua vida uma forma de realizar a vontade do Pai, por isso diz: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Dt 8,3). Essa tentação quer propor que podemos receber graças divinas e humanas sem esforço, por isso tem cristão que quer o bem estar mas não quer trabalhar, quer um diploma mas não quer estudar, quer a salvação mas não quer rezar, nem participar da missa, nem fazer caridade; tem católico que se diz pertence à Igreja mas não pratica a religião, não se engaja no trabalho de evangelização; tem pais que querem que seus filhos recebam os sacramentos na Igreja, mas não os educam na fé, nem os acompanham na Igreja. Tem cristão que quer o perdão de Deus mas não se arrepende e não abandona os seus pecados. A quem age assim Jesus diz: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (Dt 6,16).

A segunda tentação é a de brilhar, de fazer sucesso, de colocar Deus a serviço do nosso próprio capricho e da vaidade pessoal, é exigir milagres em benefício próprio. É colocar Deus Pai à prova, de manipulá-Lo e enganar as pessoas que O seguem (cf. Êx17,1-7; Nm 20, 12-13).


A terceira tentação é a do poder e da riqueza (Mt 4,8-11). O diabo tentou Jesus a ser um rei político e a construir um reino econômico nesta terra, ou seja, ser um messias temporal. Jesus disse diante de Pilatos: “meu reino não é deste mundo”. Quando o poder e a riqueza se constroem com roubo e acumulação, à custa da miséria e escravidão de outros, eles se tornam desagradáveis a Deus. Jesus quer nos alertar no Evangelho que o bem-estar, o sucesso e o poder são coisas que podemos perder e que passam, mas a graça de Deus, a benção e a salvação jamais passarão. Se Quaresma é um tempo de conversão significa que deve há algo de que precisamos nos converter: do pecado, que é fundamentalmente, orgulho, desobediência, vaidade, auto suficiência em relação à Deus. Jesus ao superar as tentações e se fazer obediente ao Pai, restaura a harmonia entre o ser humano e Deus, que Adão e Eva haviam perdido, por isso o Evangelho diz: “os anjos lhe serviram” (Mt 4,11). Nós somos convidados a acompanhar Jesus nesta Quaresma, nestes 40 dias de jejum, oração e caridade, para podermos estar cheios de Deus e chegarmos à Páscoa como pessoas renovadas, recriadas, transformadas pela graça divina.                                       

                   

O Salmo 50, escrito por Davi, nos mostra que depois da rebeldia contra Deus o ser humano faz a experiência do fracasso, da desilusão, das promessas enganosas, de sentir-se enganado e roubado pelo diabo e suas tentações. O diabo promete tudo, não dá nada e ainda tira tudo. Davi reconhece o seu pecado, a sua profunda miséria, a gravidade da própria culpa, pois quebrou a Aliança com o Senhor, por isso faz um apelo à misericórdia divina, confessando e assumindo o seu pecado: "Eu reconheço a minha iniquidade.... Só contra vós pequei (Sl 50,5).           


O arrependimento é uma confiança no Deus que perdoa. É o reconhecimento de que o ser humano não pode fazer mais nada diante do seu pecado, que não tem capacidade de apagar e apagar a dívida espiritual que tem com Deus. É por isso que Davi recorre a Deus, pois somente Ele tudo pode curar, restaurar, regenerar, recriar com a santidade e a novidade do seu Espírito Santo.


Na Carta aos Romanos, São Paulo afirma que não é das obras da Lei que vem a salvação, porque a função da lei (Dez Mandamentos) é evitar que o ser humano peque, é mostrar quais as obras que devemos praticar, mas salvação vem somente de Cristo, pois Ele é o homem novo, é só Ele que pode nos dar a força do Espírito Santo que evita o pecado e nos dá coragem para realizar as boas obras (cf. Jo 1,17). No versículo 18 São Paulo deixa claro que a condenação é para todos por causa do pecado de Adão, mas a reconciliação, o perdão e a salvação é para todos os que acolherem Cristo em sua vida, para todos aqueles que vivem o seu Evangelho, pois só Ele venceu, pela cruz e ressurreição, o pecado e a morte eterna. Jesus tomou sobre si os pecados e as maldições de toda a humanidade para que na Cruz pagasse o preço da nossa liberdade, da nossa salvação, da nossa vida eterna, para oferecer a todos a comunhão com Deus, a benção e a salvação. Por isso peçamos que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos ajude a viver em profunda comunhão com Ele e com os irmãos.


Pe. Valdir Luiz Koch.


 
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