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HOMILIA DOMINICAL:  QUAL É A VERDADEIRA RIQUEZA?

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O Evangelho deste domingo faz parte de um conjunto de ensinamentos de Jesus sobre a verdadeira riqueza. Hoje temos o exemplo da parábola de Lázaro e o rico opulento. Nesta parábola, Jesus ensina que as riquezas podem ofuscar e dificultar o ser humano de chegar até Deus, pois, o dinheiro tem a capacidade de ludibriar nossa mente com ilusão de poder. Mas há coisas que ele não pode comprar. 


Jesus não se preocupa com a riqueza em si, mas com a atitude de quem coloca nelas o fundamento de sua existência. A riqueza por si só não é um mal, mas foi criada para ajudar o ser humano em sua existência. O que há de mal é viver para a riqueza, ou como o rico na parábola, viver de banquetes e vestir roupas final. O que há de errado com este rico é o fato de ele não viver as virtudes, mas só buscar satisfazer o corpo. Diferente de Lázaro, que a pobreza fazia dele humilde, e provavelmente ele vivia as virtudes citadas na segunda leitura deste domingo, retirada da primeira Carta de São Paulo a Timóteo: “a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão” (1Tm 6,11b).


Diferente, é o que nos aponta o profeta Amós na primeira leitura deste domingo. Ele chama a atenção de quem vive para a riqueza, pois, muitas vezes estão acompanhados da injustiça, opressão contra os menores e empobrecidos, vaidades, gula, vida de prazeres, e esquecem da morte e de Deus. O profeta mostra que tudo isso passa, e a morte chega: “e o bando dos gozadores será desfeito” (Am 6, 7c). O profeta nos faz recordar do Salmo 48 que diz: “Não dura muito o homem rico e poderoso, é semelhante ao gado gordo que se abate.” E o Salmo 145, presente nesta Santa Liturgia, aponta para o fato de Deus olhar a verdade de cada ser humano. Deus não se apega às coisas que passam, mas olha o íntimo de cada pessoa. Ele é fiel ao pobrezinho, “faz justiça aos que são oprimidos.”


Aqui cabe recordar uma poesia de Rui Barbosa sobre as corrupções do ser humano em nosso país:


“Sinto vergonha de mim

por ter sido educador de parte deste povo,

por ter batalhado sempre pela justiça,

por compactuar com a honestidade,

por primar pela verdade

e por ver este povo já chamado varonil

enveredar pelo caminho da desonra.


Sinto vergonha de mim

por ter feito parte de uma era

que lutou pela democracia,

pela liberdade de ser

e ter que entregar aos meus filhos,

simples e abominavelmente,

a derrota das virtudes pelos vícios,

a ausência da sensatez

no julgamento da verdade,

a negligência com a família,

célula-Mater da sociedade,

a demasiada preocupação

com o 'eu' feliz a qualquer custo,

buscando a tal 'felicidade'

em caminhos eivados de desrespeito

para com o seu próximo.


Tenho vergonha de mim

pela passividade em ouvir,

sem despejar meu verbo,

a tantas desculpas ditadas

pelo orgulho e vaidade,

a tanta falta de humildade

para reconhecer um erro cometido,

a tantos 'floreios' para justificar

actos criminosos,

a tanta relutância

em esquecer a antiga posição

de sempre 'contestar',

voltar atrás

e mudar o futuro.


Tenho vergonha de mim

pois faço parte de um povo que não reconheço,

enveredando por caminhos

que não quero percorrer...


Tenho vergonha da minha impotência,

da minha falta de garra,

das minhas desilusões

e do meu cansaço.


Não tenho para onde ir

pois amo este meu chão,

vibro ao ouvir o meu Hino


e jamais usei a minha Bandeira

para enxugar o meu suor

ou enrolar o meu corpo

na pecaminosa manifestação de nacionalidade.


Ao lado da vergonha de mim,

tenho tanta pena de ti,

povo deste mundo!


'De tanto ver triunfar as nulidades,

de tanto ver prosperar a desonra,

de tanto ver crescer a injustiça,

de tanto ver agigantarem-se os poderes

nas mãos dos maus,

o homem chega a desanimar da virtude,

A rir-se da honra,

a ter vergonha de ser honesto’”.

Precisamos melhorar a nossa vida tendo os valores evangélicos a nossa frente. 


O Evangelho também mostra que nós só possuímos uma vida, e que esta deve ser bem vivida através das virtudes e busca de Deus. No final, morrem os dois, Lázaro e o Rico. Este é o remédio para todos, a morte. Ela é amiga do ser humano, pois, quando refletimos sobre a morte vemos que tudo passa nesta vida, e o que é mais importante é a vida na Graça. A morte mostra o que nos leva ao Céu. 


Enfim, roguemos à Deus, pela intercessão da Virgem Maria e de nosso padroeiro São Pedro Apóstolo, que nos oriente para a Sua Vontade. Somos pobres, pecadores, erramos muito, mas com a Graça de Deus chegaremos à morada eterna para recebermos a recompensa de uma vida virtuosa.  Que Deus vos abençoe. 


Pe. Jackson Fontana Oliveira


 
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