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A SANTÍSSIMA TRINDADE SE COMPADECE DOS POBRES.
HOMILIA DOMINICAL: O REINO DOS CÉUS EXIGE A PRÁTICA DAS VIRTUDES

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A liturgia deste domingo nos faz refletir sobre a misericórdia, sobre o rico e o pobre, sobre os bens eternos e os bens transitórios em nossa vida. 


A primeira leitura de hoje da profecia de Amós faz uma censura à sociedade materialista e consumista já existente no Antigo Testamento e também para sociedade atual, ou seja, para uma minoria que detêm 80% da riqueza mundial, que tem como preocupação principal aproveitar uma vida de luxo e de prazer desenfreado. O Evangelho questiona os que não se importam com os problemas pelos quais o mundo de hoje passa, com aqueles que não se importam com o sofrimento, a pobreza e a exclusão da maioria do povo que não possui os bens essenciais para sua subsistência. 


Amós denuncia que Deus não compartilha desta ideia de que os pobres devem trabalhar duramente, numa vida cheia de dores, trabalhos e misérias, para sustentar a ganância e o luxo de poucos. Segundo o Evangelho quem usa os bens terrenos para ter uma vida luxuosa e sem cuidados, esquecendo-se das necessidades dos outros homens, está defraudando os seus irmãos que vivem na miséria. S. Gregório Magno afirma «não foi a pobreza que levou Lázaro ao Céu, mas a humildade; e também não foram as riquezas que impediram o rico de entrar no céu, mas o seu egoísmo e infidelidade».


De modo geral, no mundo atual, a riqueza transforma as pessoas em concorrentes e em competidores. A riqueza não é vista como gerência daquilo que deve servir para todos, mas como conquista pessoal e expressão de status. Deus não exige que os ricos se desfaçam de todos os bens, mas que sejam generosos e que seus bens de alguma forma ajudem aos mais necessitados (responsabilidade social). Da parte de Deus, Ele faz a opção pelos pobres. Não a pobreza pela pobreza, mas a opção por aqueles que são pobres, daqueles que não tem oportunidades, daqueles dos quais nem se sabe o nome e daqueles que vivem excluídos da sociedade atual, da generosidade, da misericórdia, do perdão e do amor. 


O rico do Evangelho sofre porque não se importou com o pobre, porque era um dos que viviam só para o dinheiro e por isso mesmo, não podia servir a Deus nem fazer o bem ao próximo. A virtude essencial que faltou na vida do rico do Evangelho foi a caridade. 


O Evangelho nos mostra que até mesmo os milagres mais espetaculares (como um morto aparecer a um vivo) são inúteis, quando o ser humano não está disposto a acolher no seu coração a Palavra de Deus, pois só a Palavra de Deus pode fazer com que o ser humano corrija as opções erradas, saia do seu egoísmo, aprenda a amar e a partilhar. 


Por isso São Paulo, na Carta a Timóteo aconselha a todos os que servem ao Evangelho que vivam as virtudes da justiça, da piedade, da fé, da caridade, da perseverança e da mansidão, procurando de uma maneira autêntica serem fiéis à profissão de fé que manifestaram ao assumir a sua fé batismal. O homem e a mulher de Deus precisam ser pacientes e mansos, diante das dificuldades que o serviço apostólico levanta. Tudo se resume no amor para com os irmãos, no entusiasmo pelo ministério e na capacidade de transmitir a verdadeira doutrina, herdada dos apóstolos.


Diante do Evangelho de hoje podemos nos perguntar: Será que nós não nos deixamos, às vezes, arrastar pelo desejo de ter, comprando coisas supérfluas e impondo sacrifícios à família para pagar as nossas manias de grandeza? Será que não gastamos, às vezes, de forma descontrolada, para pagar os nossos pequenos vícios, sem pensar nas necessidades daqueles que dependem de nós? Será que é justo que se gastem em festas sociais quantias enormes com com roupas, jóias, perfumesque, comidas e bebidas que dariam para ajudar os pobres naquilo que é essencial? Será que é justo destruir as colheitas para que o excesso de produção não obrigue a baixar os preços? Com o Evangelho de hoje Jesus quer nos dizer que entrar no Reino dos Céus exige de nós gestos de fraternidade, de amor e de partilha. Quem recusa essa forma de viver e escolhe viver fechado no seu egoísmo e na auto-suficiência de suas riquezas, não pode fazer parte desse mundo novo que Deus  propõem a todo ser humano.


Pe. Valdir Luiz Koch 


 
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