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HOMILIA DOMINICAL: O BOM SAMARITANO
Crédito da foto - CENTRO ALETTI

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A primeira pergunta central do Evangelho é:  “O que devo fazer, a fim de conseguir a vida eterna?” A resposta para quem já conhecia a Sagrada Escritura era óbvio: “amar a Deus (Dt 6,5), fazer de Deus o centro da vida e amar o próximo como a si mesmo (Lv 19,18)”.

A segunda pergunta é:  “quem é o meu próximo?” Para os mestres de Israel devia-se excluir da categoria “próximo” os inimigos, pois segundo a Lei, o “próximo” era apenas aquela pessoa que era membro do Povo de Deus (cf. Ex 20,16-17; 21,14.18.35; Lv 19,11.13.15-18). Nas entre linhas desta pergunta sobre quem é meu próximo, também está outra pergunta: “o amor ao próximo tem limites?” ou  “qual é o limite para amar o próximo?” 

Com a parábola do Bom Samaritano Jesus  diz que “próximo” é qualquer um que necessita de ajuda, seja amigo ou inimigo, conhecido ou desconhecido, da mesma raça ou doutra raça qualquer; da mesma condição social ou não, da mesma religião ou não.  “Próximo” é qualquer irmão caído nos caminhos da vida que, para se levantar, necessita da nossa ajuda, do nosso amor, da nossa misericórdia.

Jesus chama atenção para que a comunidade cristã não se torne um clube fechado, “reservada só aos sócios”, onde é “proibida a entrada aos estranhos”, mas que ela precisa ser um lugar onde todos são amados, onde todos os que se encontram caídos pelas dificuldades da vida possam encontrar apoio e ombro amigo para levantar-se. Jesus quer que entendamos que não importa saber quem é o meu próximo, mas o importante é que eu devo me fazer o próximo de qualquer pessoa humana, pois ela torna-se próximo para mim, na medida em que eu o considero como um irmão e irmã na fé.

Jesus diz “vai e faze a mesma coisa”(v. 37), significa que Cristo não nos dá receitas prontas de quem devemos nos aproximar, mas significa que nós mesmos temos que criar as nossas oportunidades de estar próximo de quem precisa um ombro amigo, uma mão estendida, um coração misericordioso capaz de se compadecer do sofrimento alheio e ajudar a buscar soluções, pois a verdadeira religião que conduz à vida plena passa pelo amor a Deus, traduzido em gestos concretos de amor pelo irmão – por todo o irmão, sem exceção. 

O sacerdote e o levita não deram atenção ao homem caído no caminho pois a Lei dizia que não poderiam tocar no sangue humano nem em cadáveres, pois caso contrário estariam impuros para a oração do Templo. Jesus quer mostrar que toda e qualquer lei é boa, quando coloca no centro a pessoa humana, quando ela está a serviço do ser humano defendendo-o, protegendo-o, ajudando-o a superar os seus limites.

A nossa missão como Igreja é a de levantar todos os homens e mulheres caídos nos caminhos da vida. Hoje ainda muitas pessoas se fazem esta pergunta: “o que devo fazer para ser feliz, para alcançar  a vida? A reposta segundo o Evangelho é “faz de Deus o centro da tua vida, ama-O e ame o teu próximo, tenha misericórdia dos teus irmãos e irmãs; cuide de qualquer pessoa ferida com quem você se encontrar nos caminhos desta vida. Não basta saber tudo sobre Deus, lidar diariamente com Deus, se não soubermos amar. São João diz: \"Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.  Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor\" (1Jo 4, 8-9). 

A piedade do sacerdote e do Levita era certa segundo a letra da lei; mas inoperante, sem consequências. Era uma espiritualidade que se preocupava em salvar só a si mesmo. Já para o Samaritano o único interesse dele era ajudar o que estava caído à beira do caminho.  O samaritano não exige nada em troca do homem atacado pelos ladrões. Tudo indica que o homem caído a beira do caminho não lhe pagará, não devolverá nada do que ele gastou para restabelecer a sua saúde. Mesmo assim o Samaritano não omitiu-se de socorrê-lo. 

Jesus espera de nós uma solicitude concreta, como a do Bom Samaritano, para com aqueles que estão feridos no corpo e no espírito, para quem pede ajuda, ainda que desconhecido e sem recursos. O próprio Jesus nos dá o exemplo: Ele mesmo se fez próximo de nós, mesmo sendo Deus se fez homem, veio “habitar entre nós” (Jo 1,14), assumir a nossa condição humana, os nossos sofrimentos, pecados e doenças, para nos dar a sua vida divina, para nos perdoar, curar e salvar, por isso façamos com que o nosso próximo experimente o amor misericordioso e providente do nosso Pai celeste através de nossas obras de misericórdia. 

Pe. Valdir Luiz Koch - Pároco


 
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