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HOMILIA DOMINICAL: JUSTIÇA, ORAÇÃO E PARTILHA
Crédito da foto - CENTRO ALETTI

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A leitura tirada da profecia de Amós denuncia as relações comerciais que exploram o pobre, só por ser pobre. O profeta denuncia aqueles que agem sem escrúpulos no seu relacionamento comercial, aqueles que dominados pela ganância do lucro a todo custo compram produtos da terra a preços irrisórios e revendem-nos aos pobres a preços exorbitantes, especulando com as necessidades dos humildes. São os que roubam os clientes pobres, usando pesos, medidas e balanças falsas. Sâo os que mudam a qualidade dos produtos, misturando as cascas com o trigo.


Em vez de guardarem o dia de sábado como um dia sagrado, como um dia de louvor a Deus (culto), estão ansiosos por recomeçarem os seus negócios de especulação e de exploração do pobre. O profeta afirma: Deus não está disposto a ser cúmplice da injustiça e da exploração por causa da miséria, do sofrimento e da ignorância. Qualquer crime cometido contra o pobre é um crime contra Deus, por isso Ele promete não esquecer de quem age assim. Significa que não faz parte do projeto de Deus a exploração e o lucro desmedido. Também hoje especula-se com bens de primeira necessidade, com a falta de saúde, de educação e de trabalho. Também hoje não respeita-se o dia do Senhor como um dia em que deveria-se abster do trabalho comercial. 


A carta a Timóteo nos convida a rezar por todas as pessoas, judeus e gregos, escravos e livres, homens e mulheres, maus e bons pois é universal a proposta da salvação que Deus oferece, ou seja, todos são convidados por Deus a fazer parte da comunidade da salvação. Esta oração deve ser “erguendo para o céu as mãos santas, sem cólera nem disputa”, rezando também pelas pessoas que estão investidas de autoridade, pois delas depende o bem-estar social e a paz. Estar em paz significa as pessoas viverem reconciliadas entre si, com a família e com Deus, condição necessária para conseguir viver com tranquilidade, a fidelidade à nossa fé. A oração do cristão também deve ser na intenção dos outros, e não somente sobre as suas próprias intenções, problemas, desejos e pedidos. È preciso fazer das dores e das esperanças do outro as nossas, por que Deus Pai é o Criador de todos e porque Cristo é o único mediador entre Deus e a humanidade.  Diante disso podemos dizer que é impossivel rezar quando se esta com sentimentos de ódio, de intolerância, de racismo, de divisão ou exploração do próximo. 


No Evangelho de hoje Jesus elogia o mau administrador não por causa de sua má administração, mas porque agiu com esperteza, com sabedoria, por que percebeu que o dinheiro tem um valor relativo e por isso ele renunciou à sua comissão, ao lucro que lhe era devido para assegurar um bem que o dinheiro não pode comprar: a gratidão e a amizade. O proprio Cântico dos Cântico 8,7 diz: \"Se alguém desse toda a riqueza de sua casa em troca do amor, só obteria desprezo.\" Com isso Jesus quer dizer que todos seus discípulos devem usar os bens deste mundo, não como um fim em si mesmo, mas para conseguir algo mais importante e mais duradouro que é a salvação. 


Portanto, com o Evangelho de hoje Jesus aconselha a sábia utilização dos bens deste mundo, usando-os para a caridade, para as boas obras e para conquistar amigos. Por outro lado Jesus alerta que o dinheiro não se torne uma obsessão, uma escravidão, pois ele não assegura a conquista dos valores duradouros e da vida plena. O Salmo 61,11 nos diz: \"crescendo vossas riquezas, não prendais nelas os vossos corações.\" Com isso, o salmista afirma que quem quer seguir Jesus mas coloca como seu fim último os bens materiais, pisando nos outros para alcançar seus objetivos, não pode servir a Deus. Quem quer seguir o caminho da salvação com Jesus precisa distinguir entre o que ajuda e o que atrapalha esta caminhada para o céu e ter a coragem suficiente para renunciar os bens injustos.


É uma ação legítima ter e buscar os bens necessários a uma vida digna para si, para a família e para a sociedade. O mal não está nos bens, mas no modo como são adquiridos e usados. O mal reside na atitude egoísta de se apropriar, impedindo a partilha fraterna e solidária. O mal está em transformar a produção, a acumulação e o lucro no fim supremo (idolatria econômica), em detrimento de outras dimensões da vida pessoal, familiar e comunitária.


 Pe. Valdir Luiz Koch 



 
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