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HOMILIA: O SINAL DE DEUS É O MENINO JESUS
Crédito da foto - Gerd Altmann / Pixabay

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A luz das nações, o Filho de Deus, manifestou-se na humildade; não veio como um guerreiro poderoso, mas na fragilidade de um recém–nascido. Nesta noite a fé cristã celebra sua primeira vinda, enquanto esperamos sua manifestação gloriosa, quando o dia eterno chegar.

O Natal celebra o mistério pelo qual Deus Se fez Homem e, em Jesus Cristo, Se faz nosso Irmão e nos faz todos irmãos e irmãos de todos. O rosto de Deus manifesta-Se num rosto humano. E, assim, o Natal do Filho de Deus indica-nos que a salvação passa através da fraternidade entre nós, da amabilidade no trato, da santidade dos pequenos gestos, da proximidade com os feridos, da solidariedade, que procura o bem do outro, da identidade radical, que brota deste mistério do Natal, pelo qual nos tornamos todos filhos de Deus, todos irmãos e irmãos de todos.

O menino de Belém leva-nos a contemplar o incrível amor de um Deus que Se preocupa até ao extremo com a vida e a felicidade do ser humano e que envia o próprio Filho ao mundo para apresentar à humanidade um projecto de salvação/libertação. A encarnação de Jesus Cristo vem nos ensinar que a vida humana é puro presente de Deus e, como tal, deve ser recebida e vivida como entrega de si. 

No Natal o sinal de Deus é a simplicidade. O sinal de Deus é o menino. O sinal de Deus é que Ele faz-se pequeno por nós. Este é o seu modo de reinar. Ele não vem com poder e grandiosidades externas. Ele vem como menino necessitado da nossa ajuda. Não nos quer dominar com a força. Tira-nos o medo da sua grandeza. Ele pede o nosso amor: por isto faz-se menino. Nada mais quer de nós senão o nosso amor, mediante o qual aprendemos espontaneamente a entrar nos seus sentimentos, no seu pensamento e na sua vontade – aprendemos a viver com Ele e a praticar com Ele a humildade da renúncia que faz parte da essência do amor. Deus fez-se pequeno a fim de que nós pudéssemos compreendê-Lo, acolhê-Lo e amá-Lo.

Deus fez-se tão pequeno a ponto de caber numa manjedoura. Fez-se menino, para que a Palavra possa ser compreendida por nós. Assim, Deus nos ensina a amar os pequeninos. Nos ensina a amar os frágeis. Deste modo, nos ensina a respeitar as crianças. O menino de Belém dirige o nosso olhar a todas as crianças que sofrem. Rezemos nesta noite, para que o esplendor do amor de Deus acaricie todas estas crianças, e peçamos-lhe que nos ajude a fazer o que podemos para que seja respeitada a dignidade das crianças; para que desponte a luz do amor da qual mais precisa o homem. O Menino Deus, o Primogénito de muitos irmãos, proteja as crianças e os mais frágeis, os indefesos e as vítimas desta pandemia e todos os afetados e infetados pelo vírus mortal da indiferença.

A celebração do mistério do Natal desafia-nos, pois, a tornar cada vez mais «familiar» esta presença de Jesus em nossa casa, de modo que Ele não Se torne uma visita anual e decorativa do Presépio, mas uma presença real e permanente nas nossas casas. O Natal veio a ser a festa dos presentes para imitar Deus que por nós doou-se a si próprio através do Menino Jesus. Entre os inúmeros presentes que compramos e recebemos não esqueçamos o verdadeiro presente: de nos doarmos a Deus. De abrir o nosso coração para Deus, para que possa brotar a alegria em nossos corações.

«Belém», bet-léhem, significa casa do pão; para nos mostrar que ali nasce o Menino Jesus que é o «Pão da vida», o Pão vivo descido do céu. O homem, para viver, precisa de pão, do fruto da terra e do seu trabalho. Mas não vive só de pão. Precisa de alimento para a sua alma: precisa de um sentido que encha a sua vida. Por isso a manjedoura dos animais veio a ser o símbolo do altar, sobre o qual jaz o Pão que é o mesmo Cristo: o verdadeiro alimento para os nossos corações. Uma vez mais vemos como Ele se fez pequeno: na humilde aparência da hóstia, de um pedacinho de pão, Ele se nos doa si próprio.

Portanto, a liturgia do Natal nos ensina que devemos viver a gratuidade nos nossos relacionamentos pois Deus nos deu gratuitamente seu Filho para a nossa salvação. Nos ensina também a viver de modo despojado pois Jesus nasceu em Belém num manjedoura e morreu numa cruz despojado de todos os bens terrenos.  

 
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