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HOMILIA: CREIO NA VIDA ETERNA
Crédito da foto - CENTRO ALETTI

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Até os dias de hoje a questão da ressurreição da pessoa humana causa muitas discussões, inquietações e perguntas. Para alguns a ressurreição é apenas um “ópio do povo”, como uma forma de adormecer a vontade de lutar pela construção de um mundo mais justo; outros vêem na ressurreição uma forma de fugir dos problemas que a vida terrena nos apresenta (suicidio); outros ainda vêem a ressurreição como uma ilusão onde o cristão projeta os seus desejos insatisfeitos. Outros ainda pensam que a morte é uma viagem fatal em direcção ao nada.  Que através dela estamos condenados a deixar e a perder tudo aquilo que construimos e amamos nesta terra. Mas afinal o que Jesus diz sobre a ressurreição dos mortos? 

Para os Macabeus a fé na ressurreição era uma revivificação eterna do corpo que temos hoje em vida, ou seja, é um readquirir no outro mundo uma vida semelhante àquela que foi tirada do ser humano neste mundo. Já para os saduceus a pessoa falecida perdia a protecção de Deus e era uma pessoa reduzida ao estado de uma sombra inconsciente e privada de vida,  como alguém que já não existia como pessoa viva e consciente. Segundo eles os defuntos voltariam a vida tal como foram sepultados, com o mesmo aspecto físico, com as mesmas roupas e com as mesmas enfermidades. Este pensamento é revivificação do corpo e não ressurreição da carne. 

Jesus por sua vez afirma que Deus Pai, criador de todas as coisas e pessoas,  tem o poder de ressuscitar os batizados para a vida eterna. Para Ele ressurreição é uma vida nova, uma vida plena, uma vida transformada e elevada à máxima potencialidade, uma vida onde não há mais pranto, nem sofrimento, nem doença, nem morte. Ressurreição é a passagem para uma vida nova onde, sem deixarmos de ser nós mesmos, seremos totalmente outros… É a plenitude de todas as nossas capacidades, a meta final do nosso crescimento humano e espiritual. De acordo com suas palavras: “aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos... já nem podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus.  O Senhor, Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos”.

Cristo é a certeza da nossa ressurreição, pois assim como Ele ressucitou nós ressuscitaremos. São Paulo diz: \"para isso é que morreu Cristo e retomou a vida, para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos\" (Rm 14,9). A ressurreição que nos espera ultrapassa totalmente a nossa realidade terrena, por isso quem acredita na ressurreição não pode deixar-se paralisar pelo medo, não pode parar de viver, de sonhar, de estudar e trabalhar, de anunciar o Evangelho, pois a ressurreição é a certeza de que as forças da morte não podem vencer ou destruir a vida eterna que nos foi dada por Deus no nosso batismo. Jesus quer dizer que a vida futura não é regida pela nossa vontade, pela nossa maneira de pensar, mas é regida por Deus, de quem somos «filhos e filhas» (Lc 20,36).

 Jesus quer dizer que a vida que Deus nos dá no Batismo não é fruto de uma paternidade fracassada pela morte, mas é uma vida transmitida pelo Deus vivo, o Deus dos vivos, uma paternidade que não falha, que não termina com a nossa morte, mas que permanece para uma vida eterna. Negar a ressurreição é negar a vida e equivale a negar a própria existência de Deus. Se Abraão, Isaac e Jacob estão vivos, não é pelo facto de terem desposado mulheres e gerado filhos, mas pelo fato de serem eles mesmos «filhos» de Deus, para sempre recebedores da vida de Deus. Por isso os «filhos da ressurreição» e os «filhos de Deus» são aqueles que põem toda a sua esperança em Deus, o único verdadeiro vivente, aquele que não morre.                                                  

Motivados pela ressurreição de Cristo precisamos ter a coragem de enfrentar as forças da morte que dominam o mundo, para transformá-las em sinais de vida, de forma que se possa criar desde agora um novo céu e uma nova terra. A certeza da ressurreição deve influenciar as nossas opções, os nossos valores, as nossas atitudes, a nossa vida, pois com a morte a vida não é tirada ou aniquilada mas transformada. Jesus nos diz: “Coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33).    


Pe. Valdir Luiz Koch. 


 
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