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HOMILIA: A CRUZ DO SENHOR

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Nesta sexta feira Santa não celebramos a Santa Missa, mas uma solene ação litúrgica que faz memória dos sofrimentos e da morte de Cristo na Cruz, por isso o centro desta liturgia é Cristo e a Cruz. Celebramos o mistério do eterno Filho, Deus santo, vivo e verdadeiro que por nós se entregou a Deus Pai, em total obediência a Ele, até à morte, e morte de cruz.

São Leão Magno diz que a santa cruz “é fonte de todas as bênçãos e origem de todas as graças. Por ela, os que creem recebem na sua fraqueza a força; na humilhação, a glória; na morte, a vida”. A cruz é a nova árvore da vida, aquela que foi cortada no Paraíso por causa do pecado de Adão e Eva. Ela é aquela árvore que São João relata no Apocalipse, que dá frutos doze vezes ao ano e cujas folhas servem para curar as nações, como bem profetizou Isaías “por suas chagas fomos curados” (Is 53,5). Por isso a cada Sexta-feira Santa nos aproximamos da imagem do Cristo crucificado para dobrar o nosso joelho diante dela e a adorarmos.

Porque adoramos a Cruz? Porque ela foi o madeiro no qual o próprio Deus feito homem retirou a maldição do pecado que pesava sobre nós. A cruz era sinal de maldição, suplicio dos culpados e grandes marginais da sociedade. Cristo quis transformar esse sinal de maldição em sinal de benção. Não adoramos a materialidade da Cruz, ou seja, a madeira da Cruz, mas adoramos tudo o que ela significa: Cristo crucificado, nosso único Senhor e Salvador.

Porque beijamos a Cruz? O beijo à Santa Cruz representa o beijo que o sacerdote dá ao altar todos os dias ao começar e ao terminar a Santa Missa: um beijo cheio de amor, de respeito, de admiração à cruz que se tornou sinal de salvação e benção. Assim como o Altar representa a Cristo, a Cruz O representa também, por que a Eucaristia é uma atualização da morte e ressurreição do Senhor. Quando estamos beijando a Cruz beijamos a Cristo que nela está. Estamos sendo solidários com Jesus, nos seus sofrimentos, afrontas e desprezos que sofreu por amor a nós. Maria, Mãe de Jesus, São João e outros amigos de Jesus não se envergonharam da Cruz de Cristo, por isso permaneceram de pé e fiéis junto D´Ele. Também nós não devemos nos envergonhar da Cruz do Senhor. São Paulo já ensinava: \"Nós anunciamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos, ela é força de Deus e sabedoria de Deus\" (1 Cor 1,23-24). 

Da cruz é que brotam os bens espirituais da Igreja. Segundo São João Crisóstomo, o sangue e a água que brotaram do lado aberto de Cristo são sinais dos sacramentos do Batismo e da Eucaristia. Assim como do lado de Adão que dormia no paraíso Deus fez surgir a Virgem Eva, do lado aberto de Cristo que morre na cruz o Pai faz nascer a nova Virgem, a Igreja, que se renova continuamente por estes dois sacramentos. Foi da cruz ainda que o Cristo nos deu o seu Espírito. São João nos diz que Ele entregou o seu espírito, não só ao Pai, mas também o entregou à Igreja. Cristo é um vaso que está cheio do Espírito Santo. Quando Ele é transpassado na cruz, Ele derrama sobre a Igreja aquilo do qual Ele está cheio, o seu Espírito Santo.

Olhar para o Crucificado é contemplar uma aparente fraqueza de Cristo pois a Cruz foi vista como fracasso, derrota, incompreensão e ódio, no entanto a partir dela Jesus revela o grande poder de Deus: o poder de transformar a Cruz em sinal de amor, de vida, de benção e de salvação. São Paulo fez esta experiência da fraqueza humana e da força divina quando diz: \"quando me sinto fraco, então é que sou forte\" (2Cor 12,10). A cruz é a nossa salvação, por isso quando estivermos no meio das tempestades da vida, quando nós pensamos que vamos naufragar, devemos nos apegar à cruz de Cristo, pois Ela é a nossa salvação.

Assim como Jesus, façamos de nossa vida uma entrega total ao Pai : entrega de nossos atos, pensamentos, afetos, negócios, vida familiar e profissional, de nossas decisões, escolhas e relações humanas…, pois Ele “tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem”. Nesta Sexta-feira da Paixão, somos convidados a não somente contemplar e admirar a obediência total de Cristo a Deus Pai, mas também somos chamados a viver esta mesma obediência. É assim que Cristo alcançou a vitória final e tornou-se causa de salvação para nós. Que o sinal da Cruz que recebemos na fronte no dia do nosso batismo seja para nós cada vez mais sinal de reconciliação e de paz pois \"ao preço do próprio sangue na cruz, (Jesus) restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus.\" (Col 1,20). Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo!

Pe. Valdir Luiz Koch

 
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