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ARTIGO: O SÍNODO PARA A REGIÃO PAN-AMAZÔNICA E O HUMANISMO INTEGRAL
Crédito da foto - JESUÍTAS BRASIL

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O SÍNODO PARA A REGIÃO PAN-AMAZÔNICA E O HUMANISMO INTEGRAL

O Papa Francisco em 2018 convocou a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, a ser realizada em Roma de 6 a 27 Outubro, com duas principais finalidades. Primeira, o Sínodo quer apresentar novos métodos de evangelização ao Povo de Deus presente nessa região, especialmente aos indígenas que foram esquecidos pelos governos e pela sociedade e por isso vivem sem uma perspectiva promissora e com o real perigo de extinção das etnias. A segunda finalidade é abrir um diálogo sobre a crise da floresta amazônica, pulmão do planeta, em vista de um desenvolvimento integral para toda humanidade. As duas finalidades visam responder às problemáticas locais e internacionais.   


O fundamento do conceito de sinodalidade é a eclesiologia Povo de Deus. Membros do mesmo Povo de Deus, mas com vocações diferentes, os fiéis são chamados à comunhão em Cristo e movidos pela ação do Espírito Santo. A sinodalidade não é apenas uma questão de estratégia de apostolado, mas uma manifestação do ser da Santíssima Trindade, que é comunhão entre as Pessoas divinas. Ao Sínodo dos Bispos se reconhece uma finalidade de comunhão que se realiza pela informação sobre a efetiva situação das Igrejas em determinadas matérias, pela comunicação de experiências pastorais e pela apresentação de  soluções para os problemas em estudo.  


O Sínodo sobre a Amazônia é uma tentativa, pela oração e pelo diálogo, de apresentar um projeto eclesial, social e ecológico sobre o desenvolvimento em vista de um humanismo integral. A Região PanAmazônica é formada por nove países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. A região concentra mais de um terço das florestas primárias do mundo; é uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, abrigando 20% da água doce não congelada; possui uma população de 34 milhões de pessoas, das quais mais de 3 milhões são indígenas, pertencentes a mais de 390 grupos étnicos. Esta riqueza biológica e humana não pode ser ignorada e nem a sabedoria indígena que encontra tantos ecos na Revelação em Cristo, pois o Senhor assumiu a história e tudo aquilo que é positivo ao desenvolvimento integral da pessoa humana.   


A temática sobre o humanismo integral não se refere apenas à região Pan-Amazônica, mas abrange toda a Igreja e o futuro do planeta. O Papa Francisco na Encíclica Laudato Si constata que o crescimento nos últimos dois séculos não significou, em todos os seus aspectos, um verdadeiro progresso integral (n. 46). Francisco nos convida a participarmos de uma ecologia integral que conduz ao pleno desenvolvimento do gênero humano (n. 67). O mercado, por si mesmo, não garante o desenvolvimento humano integral nem a inclusão social (109), mas somente a partir do trabalho é que podemos estruturar uma ecologia integral.  


No mundo em que vivemos, não há duas crises, uma ambiental e outra social, como se estivessem separadas, mas uma única e complexa crise socioambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza (n. 139) em vista do bem comum (n. 156). Uma ecologia integral, como condição do humanismo integral, exige que se dedique tempo para recuperar a harmonia com a criação, que se reflete no estilo de vida simples (225). Uma ecologia integral é feita também de simples gestos cotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração e do egoísmo (230). 


Um traço característico de uma Igreja Sinodal é o aperfeiçoamento dos carismas que o Espírito dá de acordo com a vocação e a função de cada membro, através de um dinamismo de corresponsabilidade que exige a conversão do coração e a vontade de nos ouvirmos uns aos outros. Uma problemática apresentada ao Sínodo da Região Pan-Amazônica é o tema das distâncias geográficas que, “além da pluralidade de culturas no interior da Amazônia, causam um problema pastoral grave, que não se pode resolver unicamente com instrumentos mecânicos e tecnológicos. Tais distâncias geográficas abrangem também distâncias culturais e pastorais que, portanto, exigem a passagem de uma “pastoral de visita” para uma “pastoral de presença”, a fim de voltar a configurar a Igreja local em todas as suas expressões” (Instrumentum Laboris do Sínodo Amazônico, n. 128).  


A pastoral realizada mediante a presença da Igreja para a formação das comunidades, considerando as grandes distâncias geográficas, já se dá com a atuação efetiva do laicato. A formação dos leigos juntamente com o trabalho apostólico associativo são instrumentos para uma visão de Igreja que valoriza a formação do humanismo integral.


Pe. Denilson Geraldo

Doutor em Direito Canônico 

                                                               Pontifícia Universidade Lateranense - Roma


 
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